16 de Maio de 2012

 

O INE divulgou hoje os números do desemprego para o primeiro trimestre. Oficialmente, a taxa de desemprego em Portugal é de 14,9 por cento, confirmando os valores mensalmente divulgados pelo Eurostat. E o número de desempregados aumentou para 819,3 mil.

No entanto, considerando o subemprego, os inactivos disponíveis e desencorajados ­— estranha forma de mascarar desempregados — a taxa de desemprego sobe para 23 por cento e o número de desempregados para 1315,2 mil.

A austeridade dos últimos anos continua a produzir os seus efeitos. Só não vê o estigma quem não quer. Não é uma questão de fé.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 12:43
14 de Maio de 2012

Este fim-de-semana cheguei à conclusão de que os desempregados não têm estigma, pelo menos não encontrei nenhum com um «D» gravado na testa, mas os loucos também não andam com um «L».

Imaginem que, este fim-de-semana, um louco que se diz primeiro-ministro andou pela feira do livro a proclamar que olhava «com naturalidade» para o aumento do número de beneficiários do rendimento social de inserção e que «o chamado Estado social existe justamente para que as pessoas que estão mais desprotegidas possam ter uma protecção mínima».

Mas nem um louco no seu mais perfeito juízo se atreveria a fazer uma afirmação destas.

Foi Passos Coelho, ele mesmo, esse primeiro-ministro de um Estado que afirma ser uma espécie de Estado social onde é natural haver cada vez mais pessoas desprotegidas para o Estado esmolar.

Todo um pensamento político condensado numa frase.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 11:29
12 de Maio de 2012

 

Liberta-te e caminha a passos de coelho para a eternidade!

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 09:31
11 de Maio de 2012

 

Vítor Gaspar pôs ontem o parlamento a discutir um cenário macroeconómico cum uma défice de 4,5 por cento do PIB, uma recessão de 3,0 por cento e uma taxa de desemprego de 14,5 por cento para 2012. Hoje, Bruxelas vem dizer que estão todos loucos e atira cá para fora com um défice de 4,7 por cento, uma recessão de 3,3 e uma taxa de desemprego de 15,5 por cento.

Poder-se-ia argumentar que não passam de previsões, mas o governo é o primeiro a não acreditar nas suas. Afirma-o todos os dias. Será assim, diz, mas não se compromete. Até no Parlamento, quando apresenta as suas propostas. Ainda ontem, ao apresentar as previsões de desemprego para os próximos anos, Vítor Gaspar anunciou que em breve iria apresentar uma revisão dessas previsões.

E se os mandássemos fazer um cruzeiro no Titanic?

Ninguém nos poderia acusar de nada. Afinal, nem Deus o afunda!

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 10:57
10 de Maio de 2012

A notícia correu célere entre os meios de comunicação. Dizem que não tem experiência política, mas muito dificilmente um político de sete costados encontraria melhor forma de ocultar a verdade aos portugueses: O desemprego veio para ficar e o governo não encontra forma de o controlar. O governo desgoverna.

A pedido dos deputados, Vítor Gaspar acabou por distribuir o anexo ao Documento de Estratégia Orçamental (DEO) enviado para Bruxelas, onde constam as previsões para o desemprego: 14,5 por cento em 2012; 14,1 em 2013; 13,2 em 2014; 12,7 em 2015; e 12,1 em 2016.

Apesar de ser uma previsão dramática, o governo sabe que está longe de corresponder à realidade e prepara-se para rever esta previsão em Junho. Aliás, os números divulgados pelo Eurostat em 2 de Maio, que colocam a taxa de desemprego no primeiro trimestre de 2012 em 15 por cento, dizem-nos que a previsão apresentada pelo governo não faz qualquer sentido. Como não faz qualquer sentido uma discussão parlamentar assente nestes pressupostos.

E também não faz sentido discutir um DEO em que o próprio governo não acredita e que apenas apresenta porque tem de o apresentar: porque o desemprego ultrapassa as expectativas, não se pode comprometer com a reposição dos subsídios porque não sabe qual vai ser a situação económica em 2013, e há uma «incerteza considerável» sobre a execução da Segurança Social, etc.

Esta gente é louca, navega no mar alto num barco que se está a afundar e acredita que a salvação está no fundo do mar.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 11:03
08 de Maio de 2012

 

Porque Hollande ganhou as eleições em França, António José Seguro diz que o PS vai reapresentar no Parlamento a proposta de adenda ao tratado europeu para o emprego e o crescimento económico, que a maioria rejeitou há meia dúzia de dias.

Talvez tenha razão. De Passos Coelho espera-se tudo.

Mas, tal como o martini não deixa de ser martini por causa de uma azeitona, o pacto orçamental europeu não deixa de ser o pacto orçamental europeu mesmo que lhe acrescentem um caroço. E consome-se ou rejeita-se.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 11:22
07 de Maio de 2012

 

A noite de ontem foi de Hollande, mas adormeci a pensar que com ou sem azeitonas, um Martini não passa de um Martini. Nada que possa comparar-se a um premier grand cru. Mas antes mesmo de fechar o olho fui remetido para a minha infância, para as velas de sebo holland que ajudavam a curar todas as maleitas. A farfalheira do bebé, a acne da Guilhermina e as gretas dos pés da vovó Simplícia.

Coisas do subconsciente!

Hoje levantei-me e comi como todos os dias um iogurte grego. São únicos, de facto! Mesmo com cinquenta à borla, os troikanos não conseguiram comprar metade da loja dos trezentos.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 11:53
04 de Maio de 2012

A Asae.

O grupo Pingo Doce arrisca-se, assim, ao pagamento de uma multa de trinta mil euros.

É como se a boazona da Asae, porque é boazona, conseguisse ter entrado, já depois das portas fechadas, em cada um dos quatrocentos estabelecimentos daquele grupo alimentar, mas, como já não havia nada para comprar, tivesse beneficiado do desconto de 75 euros numa hipotética compra de 150 euros, mas não tivesse levado os produtos para a despensa. O que até teria sido difícil porque estava apeada. Na caixa do estabelecimento não entraram os restantes 75 euros, mas das prateleiras não saiu um único produto. O Pingo Doce não teve de suportar esse custo. Foi uma queca sem orgasmo por 75 euros.

 

– Asae! Quando vamos mocar outra vez? Eu pingo doce!...

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 11:08
03 de Maio de 2012

 

Enquanto na Assembleia da República era acusada de vender produtos a baixo custo, praticando dumping, a administração do Pingo Doce proclamava que tudo o que fizera era legal e que se tinha limitado a praticar caridade num momento em que a população portuguesa está tão carenciada de solidariedade social. E prometia novas campanhas. Não anunciou o ritmo, não disse quantas vezes no ano iria fazer distribuição dos produtos do seu banco alimentar contra a pobreza. Uma mulher, entrevistada no meio da confusão, sugeriu que o fizesse duas vezes por mês.

Os trabalhadores do Pingo Doce ficaram assim sem saber quantas vezes irão ser obrigados a trabalhar em condições tão degradantes e contrárias aos mais elementares direitos de quem trabalha, mas, da próxima vez, quando saírem de casa, fá-lo-ão certamente com o sorriso estampado no rosto de quem participa voluntariamente numa qualquer campanha de luta contra a fome. Mesmo que a morte espreite atrás de uma prateleira desequilibrada. Provavelmente, esta acção ainda servirá de inspiração à próxima reforma da legislação laboral: só terá direito ao trabalho quem se oferecer voluntariamente para trabalhar em dias de descanso numa instituição de solidariedade social. Até porque, como recordou Passos Coelho no 1.º de Maio, e poucos devem ter ouvido no meio de tanta agitação, é bom que os portugueses se habituem porque trabalho, em Portugal, é um espécime em vias de extinção. De futuro, pelos vistos, só em regime de voluntariado e à borla.

Enquanto os diferentes meios de comunicação eram inundados por uma campanha de publicidade em que eram protagonistas milhares de portugueses que, como cachet, receberam apenas cinquenta por cento do valor das suas compras, elementos das forças de segurança pagos pelo erário público e jornalistas forçados a infringir o seu código deontológico participando involuntariamente numa gigantesca campanha de promoção, A UGT descia a Avenida da Liberdade exigindo a aplicação de um proclamado «acordo de concertação social» que irá transformar este país num Pingo Doce monumental, e a CGTP subia a Almirante Reis rumo à fonte luminosa onde não consta que tenha visto a luz ou cometido suicídio como o almirante míope. O mote parece ser: Vive e deixa viver. Até morrer.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 11:56
01 de Maio de 2012

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 11:27
28 de Abril de 2012

No encerramento da conferência Growth and Competitiveness under Adjustment que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, Vítor Gaspar reconheceu que «a evolução do desemprego é motivo de grande preocupação» porque tem vindo a aumentar e está em níveis mais elevados do que o previsto, mas afirmou que é «um estímulo para acelerar reformas estruturais».

Em 1945, com a Alemanha devastada e já parcialmente ocupada a Leste e a Oeste pelos Aliados, Himmler, no seu íntimo, já não acreditava na possibilidade de uma vitória alemã, mas não se coibia de declarar a Albert Speer: «Quando as coisas caem pela encosta abaixo, há sempre um vale lá em baixo e, só quando lá chegam, é que podem voltar a subir.»

Por essa altura, Lutz Graf Schwerin von Krosigk, o simplório ministro das Finanças do Reich, defendia a restrição drástica de circulação de moeda através da redução da despesa, do aumento dos preços dos correios e dos transportes ferroviários e locais e do aumento dos impostos sobre o tabaco, o álcool, os bilhetes de cinema, as estadas em hotéis, das taxas da rádio e dos jornais, do suplemento de guerra nos preços do gás, da água e da eletricidade. E dizia: «Não pode haver objeções ao aumento de serviços básicos para a população» porque «há meses que uma grande parte da população não tem acesso regular a água, gás e eletricidade ou, se o tem, é limitado.»

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 11:08
26 de Abril de 2012

Comemorando Abril, Cavaco juntou a sua voz à voz de Coelho e defendeu que os portugueses devem defender a «imagem do País no exterior».

Ao fim de 38 anos estes são os últimos cravos que restam e as ovelhinhas portuguesas estão dispostas a comer a papinha toda.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 10:43
25 de Abril de 2012

 

Oficiais e não oficiais. Porque não tenho nada para comemorar. Hoje comemora-se o Abril de Novembro que engoliu Abril para nos trazer até aqui. O Abril que foi capaz de nascer de um golpe militar estéril, mas que um novo golpe militar ceifou para que não continuasse a crescer. O Abril consumido, devorado e digerido, ontem e hoje, aqui e agora. Em nome da «democracia».

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 10:55
23 de Abril de 2012

Vítor Gaspar andou pelas reuniões de primavera do FMI a proclamar que Portugal está no «bom caminho» para o crescimento e a criação de emprego. O que não disse foi que acredita que primeiro é preciso descer bem lá para o fundo. Não disse, mas tudo faz para que Portugal não pare de descer.  

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 11:08
20 de Abril de 2012

 

Como o cientista maluco que cortou o alimento aos seus ratinhos brancos por um deles ter morrido de cancro por consumo de tabaco, Vítor Gaspar anda a espalhar pelo mundo que Portugal é a prova de que «as políticas expansionistas não são uma condição favorável ao crescimento» e que os seus ratinhos «estão completamente dispostos a sacrificar-se e a trabalhar mais para que o programa de ajustamento seja um sucesso».

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 10:42
18 de Abril de 2012

Proença pensa que andou a namorar e exige a devolução das cartas e dos anéis e diz que vai rasgar o acordo. Coitado!

Perdido de amores, sente-se enganado como se tivesse andado a namorar. Chifrudo!

Não sabe o infeliz que o seu papel foi outro e já foi rasgado há muito por quem recebeu a prenda para a troika e a Europa verem. Com embrulho!

Diz o coitado do embrulho chifrudo que o governo não apoia o emprego e o crescimento económico. Que burro!

O coitado do embrulho chifrudo e burro não lê?

Até o FMI sabe: Uma grande consolidação orçamental num período de tempo reduzido provoca recessão e diminui o emprego. E essa recessão e diminuição do emprego são maiores se o governo não pode alterar a taxa cambial. Como Portugal não pode. Mas são ainda maiores se não pode alterar as taxas de juros. Como Portugal não pode. E são ainda maiores se os países com quem tem relações económicas também levam a cabo consolidações orçamentais. É uma onda que varre a Europa! Nestas condições não há crescimento nem que se decrete mil vezes!

Mas deve ser doença de família. Não é que Seguro, depois de aprovar a obrigatoriedade de o nosso défice não poder exceder meio ponto percentual do PIB e de a nossa dívida não ultrapassar os sessenta por cento, cortando qualquer possibilidade de, concluída a consolidação, haver uma injecção de sangue novo na economia, também queria aprovar uma adenda de apoio ao crescimento económico e do emprego?

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 12:32
17 de Abril de 2012

 

Afinal, não serão dois mas três os anos em que serão cortados os subsídios. E a partir de 2015 a reposição já não será gradual, mas intensa, tão intensa que é impossível garantir que em 2016 seja plena.

E em segredo se decide e promulga a suspensão das reformas antecipadas, não vão os cidadãos que os elegeram tecê-las como tecem a doença e a pobreza para os subsídios receber. Cortam-se os subsídios e os doentes curam-se, os mortos ressuscitam, os pobres deixam de ser pobres e o défice deixa de crescer.

Aumenta-se o número de alunos por turma para que todos fiquem juntos e apertadinhos, ombro com ombro, nádega com nádega, para que a inteligência flua como uma corrente de energia e toque a todos por igual.

E no grande areópago da democracia votam-se tratados sem debate e consulta dos cidadãos porque temos de ser os primeiros e não há tempo a perder. Num gesto de boa vontade, ventos da Páscoa, claro, Seguro diz que o PS vota a favor apesar de a maioria recusar a sua adenda. Cada um lava as mãos como pode. Depois, porque havia de ser diferente? Lisboa, euro, Maastricht, adesão, sempre foi assim. E a troika que nos governa, quem a elegeu?

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 10:32
13 de Abril de 2012

 

Aclamado como neoliberal, coligou-se com os democratas-cristãos viu a luz e proclamou: É preciso empobrecer para voltar a enriquecer.

Houve quem pretendesse levar à letra as palavras de Passos, mas os iluminados falam por parábolas e a riqueza que prometem nunca é deste mundo.

Como o de Cristo, o reino de Passos também está próximo, não é deste mundo e só os pobres passarão pelo buraco da agulha. Mas, ao contrário de Cristo, Passos é um «ai a tola» fundamentalista e partiu em cruzada evangelizadora pela pobreza. É preciso que os pobres sejam cada vez mais pobres porque só assim entrarão no reino de deus. Mas não acredita na conversão espontânea. A carne é fraca. Por isso, quando à noite se retira para o deserto reza para que o seu pai o ilumine e ajude a encontrar mais um processo para ajudar os pobres a empobrecer. Os ricos não interessam porque esses nunca conseguirão passar pelo buraco da agulha.

Mas não lhe perguntem se entraremos todos no paraíso em 2013. Será a partir de 2015, diz.

Passos tem uma interpretação muito própria das escrituras e não acredita que a salvação passe pela sua morte. Dois mil anos depois da morte de Cristo, o reino de Deus ainda não chegou. Por isso, fará tudo para sobreviver. Entretanto, proclama energicamente a sua fé, parte diariamente em nova cruzada, decreta o culto da imagem e espera que, chegada a hora da sua crucificação, Pilatos não se limite a lavar as mãos.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 10:57
12 de Abril de 2012

A lusa noticiou e os demais órgão de informação replicaram a notícia: A Intersindical assumiu a rejeição da generalidade das propostas governamentais «tendo em conta a elevada taxa de desemprego, a situação precária do mercado laboral e em geral a grave situação de carência económica e social em que se encontram muitos trabalhadores e cidadãos portugueses».

Fui até ao site da CGTP à procura do texto que originou a notícia, mas não estava lá. Restou-me manifestar a minha perplexidade. Hoje voltei lá. E lá está o texto. Juntando dois parágrafos, a Lusa adulterara a posição da CGTP. Afinal, a CGTP rejeita as propostas do governo porque a penalização da eventual fraude e o combate aos abusos não podem e não devem ser feitos à custa dos direitos de todos os cidadãos indiscriminadamente e «tendo em conta a elevada taxa de desemprego, a situação precária do mercado laboral e em geral a grave situação de carência económica e social em que se encontram muitos trabalhadores e cidadãos portugueses, a CGTP-IN reitera as propostas em matéria de reforço da protecção social:». Seguem-se as suas propostas, de onde se destaca «o aumento imediato de todas as pensões mínimas e discussão de um valor para actualização das restantes pensões».

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 11:49
11 de Abril de 2012

Passos Coelho diz que não pode começar a repor os subsídios em 2014 para não dar «uma imagem precipitada» de Portugal.

É preciso ter lata! Já era tempo de os portugueses se precipitarem contra esta imagem.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 11:18
10 de Abril de 2012

 

Deste governo, como de qualquer outro, espero tudo. O que é maligno, evidentemente. Mas a CGTP ainda consegue surpreender-me: A Intersindical assumiu a rejeição da generalidade das propostas governamentais [o ministro da Solidariedade Social apresentou na concertação social uma proposta que prevê alterações para os subsídios de doença, de maternidade, de funeral e para o Rendimento Social de Inserção (RSI), alegando a necessidade de combater a fraude] «tendo em conta a elevada taxa de desemprego, a situação precária do mercado laboral e em geral a grave situação de carência económica e social em que se encontram muitos trabalhadores e cidadãos portugueses».

O bold é meu, e deixou-me de tal modo perplexo que ainda estou à espera que a CGTP venha dizer que nunca escreveu isto.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 11:23

 

Os benfiquistas só falam do erro do árbitro no primeiro minuto do jogo porque se recusam a aceitar que durante os restantes 89 minutos só tenham conseguido ver o Sporting jogar. 

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 11:02
09 de Abril de 2012

 

Na semana passada, Mario Draghi defendeu que «o modelo social europeu está morto», mas logo a seguir declarou que «o modelo social europeu deve ser revisto». Não sei se Draghi fez estas afirmações possuído por um certo espírito pascal: está morto, mas ressuscitará. Provavelmente, para além do terceiro dia. E talvez um dia venha a reinar. Noutro mundo. Sentado à direita de deus pai!...

Vivo ou morto, a direita faz tudo para que morra ou não ressuscite, cimentando a pedra com que cobriu o sepulcro. Afinal, o seu deus apaziguador cedo se revelou um deus insaciável e incapaz de contentar-se com as migalhas que de vez em quando ela deixava cair da mesa e ameaçava cada vez mais sentar-se lado a lado à mesa do banquete.

Vivo ou morto, a esquerda, consumida e desnutrida pela travessia do deserto em busca do paraíso celestial, ajoelha a seus pés, proclama a sua glória, insurge-se contra os novos pilatos, os novos fariseus e vendilhões do templo, contra a sua flagelação e crucificação e proclama-o com deus único e verdadeiro capaz de providenciar a felicidade terrena dos pobres e oprimidos. E acredita que, ainda que morto, ressuscitará para reinar neste mundo.  

Confesso que sobre esta questão do «modelo social europeu», como em todas as questões de fé, também não sou crente nem agnóstico nem ateu, mas, se alguma vez existiu e ainda não morreu, o «modelo social europeu» estará ligado à máquina, num estado vegetativo sem retorno, consumindo-se e consumindo quem vive agarrado à miragem de o salvar.

A esquerda só sobreviverá quando se libertar da sua morte.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 11:43
06 de Abril de 2012

 

Numa semana e no mais rigoroso sigilo, o Governo decretou e o PR promulgou a suspensão imediata das reformas antecipadas. Certamente com receio de que uma legião de trabalhadores se reformasse antecipadamente mal ouvisse falar de tal possibilidade. Os subsídios de doença vão diminuir porque é preciso combater a fraude.

O combate à fraude e à crise justifica a proliferação do poder discricionário. Proíbem-se os pagamentos em dinheiro. É obrigatório o uso de software certificado pelo fisco. Ao fisco são cometidos cada vez mais poderes absolutos e de devassa da vida privada de cada cidadão numa acção assumidamente pidesca. O direito ao pão, à saúde, à educação e à habitação passa cada vez mais pela apresentação de um certificado de bom comportamento passado pelo fisco, e os cidadãos são cada vez mais assediados para fazerem parte do corpo de legionários informadores do fisco.

São apenas permitidas manifestações de apoio ao regime. Todas as outras serão severamente reprimidas.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 10:03
05 de Abril de 2012

Anda aí meio mundo a protestar porque Pedro Passos Coelho terá dito que os subsídios de férias e de Natal só seriam repostos em 2015. No entanto, Pedro Passos Coelho disse tudo menos isso.

«Creio que [a reposição] é depois de 2014, porque o nosso programa de ajustamento decorre até 2014. Portanto, só depois disso. A partir de 2015, haverá reposição desses subsídios. Com que ritmo, com que velocidade, não sabemos».

«Qual é o grau de reposição? Quanto tempo vai demorar? Não sabemos. E não sabemos porquê? Porque eu não conheço as condições que vão existir em 2014 e 2015.»

Ora, Passos Coelho não diz que diz. Diz «creio». Não sabe e não quer saber e não se compromete. E mesmo assim, crê que é depois de 2014 e a partir de 2015. Se vier a acontecer apenas em 3015, Passos Coelho não mentiu.

Mas também não diz que serão repostos. Diz que não sabe a velocidade nem o ritmo. Se em 4015 repuser apenas 1 por cento dos subsídios e em 4016 repuser mais um por cento, Passos Coelho não mentiu.

Mas o que Passos Coelho disse e que ninguém quis ouvir foi que o seu governo quer acabar com os subsídios de férias e de Natal não apenas para os trabalhadores do sector público mas para todos os trabalhadores, antes de 2015. Só não o fez este ano porque já havia reformas a mais. Foi isso que disse.

Mas anda todo o mundo preocupado com a reposição em 2015 de uma parte de um subsídio que, nessa altura, já foi. E, provavelmente, ninguém deu por isso.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 14:22
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