24 de Janeiro de 2012

Brincar não faz mal a ninguém. Também eu não resisti a ilustrar o corte miserável de que Aníbal Cavaco Silva foi vítima. Mas quando uma petição a exigir a demissão do Presidente da República, com uma argumentação tão pífia, ultrapassa as 16 000 assinaturas em tão pouco tempo, pergunto-me se não será brincadeira a mais. E, quando vejo o apelo à participação numa flash-mob em Belém, já não sei se hei-de rir, se hei-de chorar.
Será que hoje, ao final da tarde, alguém vai aparecer em Belém com uma moeda no bolso? Inicialmente, pensei que não era para levar a sério. Mas, ao ler a notícia do Público, já não sei.
Tudo isto acontece depois da assinatura do chamado acordo de concertação social! E que concertação social! E que acordo!
Será que só nos resta brincar?
Fazer de Vasquito (Cavaco) e Anhucas (todos nós)? E, entre duas gargalhadas, gritar que a culpa é da globalização e que é preciso defender o Estado social europeu?

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 14:58
23 de Janeiro de 2012

João Proença diz que assinou o acordo porque foi incentivado por membros afectos à maioria da CGTP. Entenda-se do PCP. A CGTP, ofendida, diz que vai apresentar uma participação criminal contra João Proença. Cavaco Silva, porque não recebe remuneração como Presidente da República, diz que não pode ser mais do que provedor dos pobrezinhos. Mas, porque não vai na conversa de que em casa de ferreiro há espeto de pau, começa logo a dizer que não ganha para as despesas, não fosse alguém pensar que era rico. Passos Coelho já mandou editar a sua versão da História de Portugal: Eu é que sou o D. Afonso Henriques. O Álvaro, não confundir com o santo, mandou as monjas para o convento, e resolveu dedicar-se aos pastéis de Belém. Gaspar diz que o Natal é sempre que o homem quiser e la vai ele montado no camelo seguindo a estrela da salvação que, jura, acabou de ver ao virar da esquina. Marcelo, com a Enigma na mão, diz que Cavaco disse o que disse mas que queria dizer: «Vejam: até eu, um privilegiado, tenho de cortar.»

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 15:29
22 de Janeiro de 2012

No turbilhão de perguntas que os jornalistas lhe colocaram, a que criou maior embaraço a Cavaco foi a que teve que ver com o facto de o chefe de Estado receber subsídio de férias e de Natal, como reformado do Banco de Portugal. O Presidente da República olhou o jornalista durante alguns instantes e depois de fazer uma prolongada pausa disse: «Vou responder.
Neste momento já sei quanto é que irei receber da Caixa Geral de Aposentações. Descontei durante quase 40 anos uma parte do meu salário para a CGA como professor universitário e também descontei durante alguns 30 anos como investigador da Fundação Calouste Gulbenkian e devo receber 1300 por mês, não sei se ouviu bem 1300 euros por mês», disse Cavaco, olhando o jornalista. «Tudo somado, o que irei receber do Fundo de Pensões do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Aposentações quase de certeza que não vai chegar para pagar as minhas despesas porque como sabe eu também não recebo vencimento como Presidente da República», disse Cavaco.


Ora, vejamos bem o que se passou.
Um jornalista pretende embaraçar Cavaco porque este vai receber subsídio de férias e de Natal enquanto pensionista do Banco de Portugal. E que responde Cavaco?
Diz que tem apenas uma pensão de 1300 euros por mês da CGA, apesar de ter descontado uma parte do salário durante 40 anos de um lado e durante 30 de outro. E perguntou ao jornalista se tinha ouvido bem.
Cavaco quis que o jornalista não ficasse a pensar que ele tinha dito 300 euros. Que seria uma miséria, naturalmente, e que talvez pudesse levar o jornalista a pensar que, em tais circunstâncias, Cavaco teria direito a receber os referidos subsídios. Com isto, Cavaco quis apenas sublinhar que, mesmo com uma pensão de 1300 euros devia receber os subsídios.
Mas não se ficou por aí.
Disse que, mesmo somando a pensão do Banco de Portugal – de que não disse o valor, provavelmente porque só sabe contar até 1300, mas forneceu os dados para que quem soubesse lhe fizesse as contas –, tudo somado ¬– frisou bem, não estava afalar apenas de 1300 euros –  não dava para pagar as despesas. Até porque não recebia como Presidente da República.
Apenas isto.
Cavaco limitou-se a dizer que não percebe como alguém pode cortar os subsídios a quem recebe menos do que ele. Que não percebe como pode haver pensões inferiores a 1300 euros, qualquer que seja o montante que o trabalhador descontou durante a sua vida activa. Foi isso que quis dizer ao omitir o valor dos descontos efectuados, mas que, no entanto, já levou alguns comentadores menos bem-intencionados a insinuar que ele não teria efectuado descontos sobre tudo o que recebeu.
E foi mais longe.
Disse que não percebe como pode alguém viver com menos de 15 mil euros em Portugal. É o que se deve depreender das suas palavras. Na verdade, Cavaco dá a entender que, se pudesse somar ao que já recebe o valor da remuneração do Presidente da República, as contas ficavam mais bem compostas.

É evidente que isto não podia cair bem no governo, nos partidos do governo, nos partidos da oposição, nos comentadores amigos do governo nem nos comentadores amigos da oposição. Os primeiros porque acham que todos os cortes feitos pelo governo são absolutamente indispensáveis para a sobrevivência da nação. Os últimos porque os 15 mil euros que Cavaco propõe como limiar de sobrevivência tornam absolutamente ridículas as propostas que até aqui têm sido apresentadas pela oposição.
Pena é que Cavaco seja apenas o provedor do povo. E que nada mais possa fazer, à semelhança de tantos provedores que andam por aí, do que limitar-se a responder por escrito às questões que lhe são apresentadas.
Enquanto «provedor das incertezas, das angústias mas também das ambições do nosso povo», Cavaco tinha-se limitado, até aqui, a responder às mais de três mil cartas que recebe mensalmente. Sexta-feira, decidiu ir um pouco mais além. Em vez de escrever, dirigiu-se-lhes pela televisão.
Ninguém lhe perdoou.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 12:46
21 de Janeiro de 2012

Num comunicado em que a CGTP repudia as declarações de João Proença, pode ler-se:

Este é um «acordo» [o acordo assinado na concertação social] que constitui o maior atentado aos direitos dos trabalhadores que se propõe eliminar feriados e dias de férias, que fragiliza a Segurança Social e provoca um retrocesso social sem precedentes nas relações de trabalho em Portugal, que contribuirá, desgraçadamente, para que o país continue a afundar-se.

O sublinhado é meu, naturalmente. Porque não é a primeira vez que a CGTP fala em desgraça. E, infelizmente, é um discurso do qual não consegue dissociar-se na acção. Discurso e acção fundem-se nesta ideia de inevitabilidade, de que o mal acontece por desfavor ou perda das boas graças. Regularmente, em manifestações, paralisações e greves gerais, ergue as mãos aos céus e fica à espera que o milagre aconteça.

Da UGT é melhor não falar. É um pagador de promessas.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 11:12
20 de Janeiro de 2012

Para assinar o chamado acordo da concertação social, a UGT prometeu ao governo que não haveria uma nova greve geral até ao outono.

Não vou aqui discutir a promessa. Vale o que vale e reflete não só o papel da UGT no movimento sindical português, mas, sobretudo, o pensamento dos seus dirigentes, a quem, pelos vistos, é indiferente o que pensam os trabalhadores. Como pode uma central sindical fazer uma promessa destas, sem previamente consultar os trabalhadores que se diz representar?

Pela capa do Sol, a quem João Proença deu a entrevista, dois factores parecem ter sido determinantes para este compromisso: A ideia de que uma greve geral não faz sentido nenhum e a evolução da crise grega apesar da realização de 17 greves gerais.

Eu acrescentaria não só as duas greves gerais realizadas em Portugal como todas as manifestações, antes e depois da crise. E à crise grega e portuguesa acrescentaria as sucessivas alterações da legislação laboral portuguesa, sem esquecer a última. E poderia acrescentar outras legislações e outras greves gerais por essa Europa fora.

Mas não para concluir da inutilidade da greve geral, como faz João Proença. Mas para mais uma vez alertar para a manifesta impotência do movimento sindical.

Como diz o anúncio, a impotência aumenta com a idade, mas tem cura.

Mas, ao contrário da disfunção eréctil, não há fármaco que ajude o movimento sindical. Só a intensificação de relações activas com os seus membros poderá levar à erecção do movimento sindical e à concretização de orgasmos profícuos. Isso, e a compreensão da mulher com que se deita e que responde pelo nome de globalização.

A compreensão da mulher ajuda!...

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 11:41
19 de Janeiro de 2012

 

Pelo menos não há memória, e eu nunca tinha visto: Um devedor rejubilar com as condições verdadeiramente insuportáveis, impostas pelo agiota, a ponto de ainda se propor pagar alegremente uma comissão e orgulhar-se disso!

Só mesmo num ninho de cucos!

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 10:06
18 de Janeiro de 2012

 

João Proença disse ontem que assinou o novo acordo a que chamam de concertação social porque, se a UGT não o assinasse, as consequências para os trabalhadores seriam muito piores.

Se esta declaração é a confissão pública da inutilidade, para os trabalhadores portugueses, da central sindical que dirige, ela não deixa de espelhar de alguma forma a impotência que se apoderou do movimento sindical no seu todo.

Um movimento sindical que, se os trabalhadores decidissem fazer uso da nova legislação laboral, poderia facilmente ser despedido por manifesta inadaptação.

As alterações laborais contidas neste denominado acordo de concertação social são, de facto, o resultado da inadaptação do movimento sindical aos desafios da globalização, mas são, no caso português, o resultado de um movimento sindical impotente – de permanente compactuação por parte da UGT e de mera contestação por parte da CGTP –, cada vez mais refém de um funcionalismo que o sustém e o conserva.

Compactuação e contestação que não têm impedido que a legislação laboral do trabalho seja cada vez mais a legislação da flexibilidade do trabalho e da liberalização dos despedimentos.

Liberalização que só não é total porque o acordo assinado ainda prevê que a inadaptação seja declarada por escrito. No próximo acordo passará a oral. De certeza.

E esta é já a única diferença que separa as propostas deste denominado acordo da selvajaria total. Os patrões ainda precisam de escrever coisas relacionadas com a admissão e despedimento dos trabalhadores.

O resto só não vê quem não quiser:

Os custos do trabalho serão cada vez mais baixos. Os horários de trabalho serão o que o patrão quiser. Os períodos de descanso também. Os feriados também. As férias também. A duração dos contratos de trabalho também. Despedirão quem e quando quiserem – insisto, vão ler, para um trabalhador ser declarado inadaptado basta que o patrão o ponha por escrito e que pague. E pagar é fácil porque é cada vez menos. Tudo diminui: salário, horas extraordinárias, compensações, indemnizações. Tudo. Até os subsídios de desemprego.

E ainda anda por aí quem venha dizer que o governo deixou cair a ideia da meia hora!...

Como se o governo pudesse aumentar o tempo do movimento de rotação da Terra!

 

á de moura pina

 

publicado por abrasivo às 11:38
17 de Janeiro de 2012

 

A farsa subiu de novo à cena, com a UGT e a CGTP nos seus papéis históricos: A UGT, um figurante de terceiro grau com tiques de figurão, aceitou mais uma vez colocar a sua assinatura sob as propostas acordadas entre os patrões e o governo, permitindo a gravação da acção que, sem a sua presença, nunca poderia passar nos ecrãs de televisão. A CGTP, um actor secundário, no seu papel de velho conservador e rezingão, recusou mais uma vez assinar as propostas para melhor as poder defender quando forem postas em causa pelos patrões na próxima reunião de concertação.

O resultado, segundo a UGT, são questões de somenos importância (porque diz que a meia hora caiu, esquecendo pelos vistos que quem cai levanta-se): menos três dias de férias por ano, menos quatro feriados, a obrigatoriedade de o trabalhador fazer ponte sempre que o patrão quiser com a consequente diminuição dos dias de férias, a criação de um banco de 150 horas anuais para os trabalhadores abrangidos por contrato individual de trabalho (que os patrões poderão aplicar quando quiserem, evitando assim o pagamento de trabalho suplementar, mas que, diz-me o meu calo de macaco, na prática, irá obrigar um trabalhador a trabalhar mais 18,75 dias por ano sem receber) e, imagine-se, concretizando parcialmente um sonho do CDS, (que seja a Segurança Social a pagar, em vez dos patrões, o salário de quem trabalha), os desempregados poderão ser contratados por um salário inferior ao seu subsídio de desemprego pagando a Segurança Social a respectiva diferença.

Razões para todos ficarem felizes, portanto: a UGT pode cantar, a CGTP carpir, os patrões rejubilar, o governo vangloriar-se e a comunicação social proclamar que houve acordo entre os parceiros sociais.

E nós o que devemos fazer?...

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 10:50
16 de Janeiro de 2012

 

Foi o tema escolhido por Pedro Passos Coelho para o seu discurso de encerramento da conferência «Made in Portugal 2012» dedicada à internacionalização da economia portuguesa.

Não tivemos acesso ao texto do discurso e a fotografia não nos permite saber qual das duas colunas reflecte o comportamento das exportações portuguesas depois das recentes nomeações governamentais, mas tudo indica que seja a coluna verde porque, de outro modo, não acreditamos que Passos Coelho elegesse este tema para o seu discurso de encerramento da conferência que decididamente já está a marcar a internacionalização da economia portuguesa.

Sabemos até que, inicialmente, o intrépido primeiro-ministro português, que tão valentemente tem sabido defender a bandeira verde-rubra por terras dos teutões, tencionava discursar sobre a influência das nomeações governamentais no comportamento da nata portuguesa, mas que à última hora foi demovido por Miguel Relvas que lhe manifestou o receio de que certa imprensa vislumbrasse no tema alguma subalternidade em relação ao ministro Álvaro, que trouxera o assunto das natas portuguesas, em primeira mão, para a conferência. Além do mais, havia o perigo – a língua portuguesa é muito traiçoeira, sempre a obrigar a constantes interpretações – de alguma imprensa poder escrever que Pedro Passos Coelho, no seu discurso de encerramento, tinha falado de pastéis. Tal como já acontecere com o ministro Álvaro, aiás. De tal lapso, também eu aqui me penitencio.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 11:17
14 de Janeiro de 2012

 

Dos chineses. Foi assim que Catroga justificou a escolha dos recém-nomeados elementos do Conselho Geral e de Supervisão da EDP. Catroga não é claro nos aspectos que rodearam esses conhecimentos e também não diz – mas seria preciso? – que também são caras conhecidas do governo. Mas isso são pentelhos.

Catroga só fala de questões estruturais. Ser conhecido é uma questão estrutural da nossa sociedade. A condição essencial para alguém ser nomeado para cargos relevantes, sejam eles nas empresas públicas ou privadas, na administração, no parlamento, no governo ou na presidência da república.

É por isso simplesmente ridícula toda a discussão em torno da maçonaria. Porque é irrelevante ser da maçonaria. Relevante é ser-se conhecido. Não me consta que Catroga seja da maçonaria, no entanto, é conhecido dos chineses. Também não me consta que seja do PSD ou do CDS, mas é conhecido do governo.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 11:00
13 de Janeiro de 2012

 

Um homem entrou numa pastelaria e, além do dinheiro da caixa (50 euros), exigiu que lhe entregassem 200 pastéis.

A polícia reagiu de imediato e o homem já foi detido.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 17:24

 

Eis o grande enigma que pelos vistos tem tirado o sono a Álvaro Santos Pereira.

Mas, senhor ministro, quer mesmo saber a resposta?

Com a sua mão direita pegue num pastel de nata.

Pegue num frango de churrasco com a esquerda.

Volte-se para a sua mão direita e diga: «Voa nata!»

Volte-se para a sua mão esquerda e diga: «Voa frango de churrasco!»

Que lhe parece?

 

á de moura pina

 

PS: Álvaro Santos Pereira diz que está a colocar no terreno o programa «Portugal sou eu».

O Enigma:

Álvaro Santos Pereira aparecerá nos cartazes a comer natas ou frango de churrasco?

publicado por abrasivo às 11:23
12 de Janeiro de 2012

 

Quando a jornalista perguntou se não é abominável discutir se alguém com 70 anos deve ter direito à hemodiálise, Ferreira Leite não teve dúvidas: «Tem sempre direito, se pagar.»

O puritanismo não se fez esperar. No entanto, o SNS não é gratuito. Directa ou indirectamente todos o pagamos. Ou integralmente no acto, neste caso, alguém que tem 70 anos e precisa de fazer hemodiálise, ou parcelarmente ao longo dos seus setenta anos de vida, ou não paga porque alguém pagou ou vai pagar.

No entanto, verdadeiramente hardcore é a pergunta inocente da jornalista. Porquê  levantar a questão aos setenta anos? Porquê não aos dez ou aos noventa?

Será que já foi estabelecido o novo prazo de validade? Ou estamos perante o lançamento da campanha de sensibilização?

Vivemos numa sociedade puritana que rejubila de indignação quando alguém levanta o véu que lhe cobre as partes baixas, mas que aceita levianamente a existência de uma idade para alguém se reformar.

Eu sei. Não há pornografia na intimidade.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 15:56
11 de Janeiro de 2012

 

Nos últimos dias muito se tem falado dos 639 mil pentelhos anuais que o senhor Catroga vai receber da EDP, mas aqui não nos preocupamos com estas pentelhices. O importante são as questões estruturais.

Diz Catroga:

«Cinquenta por cento do que eu ganho vai para impostos. Quanto mais ganhar, maior é a receita do Estado com o pagamento dos meus impostos, e isso tem um efeito redistributivo para as políticas sociais.»

Claro que poderíamos dizer que o senhor Catroga tem uma estranha noção de redistribuição. Afinal, cinquenta por cento são para distribuir por muitos e os outros cinquenta são distribuídos por um só. Mas aqui não nos preocupamos com esses pêlos púbicos.

Também seria uma verdadeira pentelhice concluir que, quando Catroga propôs uma redução de oito pontos percentuais na TSU, não estava a pôr em causa o equilíbrio da Segurança Social porque tencionava compensar essa redução com o aumento da sua retribuição quando fosse para a EDP, logo que fosse privatizada como defendia o programa que ajudara a elaborar.

Pêlos púbicos, não. O importante, como diz Catroga, são as questões estruturais. E a afirmação de Catroga que tanta comichão parece ter provocado encerra em si o grande equívoco em que assenta o Estado social. Preocupado em distribuir migalhas, ignorou o que deveria ser o seu objectivo fundamental: Eliminar as diferenças sociais para além da caritas.

Vejamos o que acontece, a título de exemplo, com as contribuições para a Segurança Social.

Quer a contribuição do trabalhador quer a TSU incidem sobre o valor da remuneração. Na prática tem um efeito pernicioso. É um convite à prática de baixas remunerações. Que só é contrariada quando existe concorrência. Concorrência que aumenta com a especialização e formação, contribuindo naturalmente para o alargamento do leque salarial.

A contribuição do trabalhador e a TSU deveriam por isso ser de natureza diferente. Se é natural que a contribuição do trabalhador aumente com a sua remuneração, tal não deveria acontecer com a TSU que deveria ter uma função reguladora. Bastaria, por exemplo, que a TSU, em vez de incidir sobre a remuneração de um trabalhador, incidisse sobre a diferença entre a sua remuneração e a remuneração mais elevada praticada na empresa, incluindo as remunerações dos órgãos sociais.

Quanto mais ganhasse o senhor Catroga, mais haveria para distribuir para as políticas sociais. Não porque tinha apenas aumentado a contribuição dos seus cinquenta por cento, mas porque tinha aumentado a contribuição a pagar pela EDP por cada um dos seus trabalhadores. A não ser que também eles fossem aumentados. Mas, com isso, todos teríamos a ganhar.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 12:14
09 de Janeiro de 2012

Nos últimos dias foram muitas as notícias sobre os irmãos maçons. Feitas as contas, diz-se que 90 por cento dos deputados portugueses são liderados por maçons.

Os coitados da loja Mozart é que parecem ter caído em desgraça, imagine-se, porque aquela loja é vista como um local de tráfico de influências. A desgraça é tão grande que o grão-mestrado da Grande Loja Legal de Portugal, que engloba todas as lojas, se prepara para fechar a loja e distribuir os seus irmãos por outras lojas.

Ainda bem que o governo vendeu a sua participação na EDP. Segundo as notícias, Eduardo Catroga, Celeste Cardona, Paulo Teixeira Pinto, Ilídio de Pinho e Braga de Macedo vão integrar o conselho geral e de supervisão da EDP. Os chineses até vão ficar com os olhos em bico quando souberem que um grão-mestre qualquer vai fechar a EDP.

E com os olhos mais em bico ainda vão ficar quando descobrirem que o seu melhor futebolista já não vem para Portugal como prometera Futre, porque António de Oliveira se lembrou de dizer que o seu irmão domina totalmente o futebol português e que ninguém é colocado na Federação ou na Liga se não defender os seus interesses.

E, já que falamos em liga, eu até gostava de saber – a notícia do Público não revela – a cor do cinto de ligas que a Angela vai levar para a reunião com o Nicolas onde será concretizada a união fiscal que vai impulsionar o crescimento.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 12:00
07 de Janeiro de 2012

 

Ontem, na Assembleia da República, Passos Coelho manifestou a sua compreensão perante a deslocalização do capital da Jerónimo Martins para os Países Baixos. Uma compreensão natural. Claro. Dada a natureza do Estado.

Mas Passos Coelho foi mais além e resolveu fazer o papel de advogado do diabo. Entusiasmado, não se conteve e afirmou:

«Espero não me precipitar se disser que o grupo Jerónimo Martins vai continuar a pagar os seus impostos em Portugal, em termos de IRC, que os dividendos obtidos pelos detentores de participações no grupo continuarão a pagar os impostos em Portugal.»

E nesta hipotética precipitação reside o cerne da questão: o Estado português apenas está em condições de garantir que os cidadãos condenados a viver da venda da força do trabalho paguem os seus impostos. Uma garantia natural. Claro. Dada a natureza do Estado.

Uma garantia baseada num conjunto de legislação – do sigilo bancário, do combate à fraude e à evasão fiscal, etc. – aprovada na AR com a bênção ou benevolência dos partidos ditos de esquerda. Uma benção natural. Claro. Dada a natureza do Estado.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 11:06
06 de Janeiro de 2012

 

Segundo São Lucas, Cristo terá sido sepultado entre dois ladrões. Um bom e outro mau. São Lucas não esclarece quem estava à direita ou à esquerda. Sabemos apenas que ambos eram ladrões, mas que a hora da morte os separou. O mau blasfemava exigindo de Cristo a salvação. O bom, conformado com o castigo, apenas pedia a Cristo que se lembrasse dele no seu reino. Cristo prometeu-lhe que entraria com ele no paraíso.

Confesso que sempre rejeitei este conceito de justiça divina.

É talvez por isso que hoje não consigo evitar enfiar, direita e esquerda, todos no mesmo saco.

É verdade que a esquerda diaboliza o capitalismo e, sobretudo, a sua lei fundamental – a acumulação do capital –, mas na prática não renega o seu deus. Defendendo a apropriação colectiva dos meios de produção – no prometido socialismo –, ou das mais-valias – no abençoado Estado social –, a esquerda mantém-se fiel ao princípio do capitalismo: a exploração da força do trabalho.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 12:07
05 de Janeiro de 2012

 

Afinal, o filho da puta do capitalista foi apenas para os Países Baixos. Outro país do euro!

Já a CGD fartou-se da ilha da Madeira e foi para as ilhas Caimão.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 14:00
03 de Janeiro de 2012

 

«A transferência tem de ser autorizada. Caso contrário, estaremos fora dos mercados e fora do euro», afirmou um porta-voz do governo grego.

A dita são 130 mil milhões de euros. A contrapartida são as chamadas mais reformas para comprovar que a Grécia está empenhada em cumprir as exigências dos credores internacionais: novos cortes nas pensões, alterações ao mercado de trabalho e um programa de privatizações.

Entretanto, circulam rumores sobre a eventualidade de o país estar a renegociar o nível de perdão da dívida, tendo havido já notícias que indicam que a fasquia poderá alcançar os 75 por cento.

Empréstimos, renegociações e perdões da dívida são, ao contrário do que muitos querem fazer crer, a mesma face da moeda única. A outra face são as reformas, claro.

Só é cego quem não quer ver.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 12:08
02 de Janeiro de 2012

Seja essa carapuça o que for. Porque muda de forma e cor conforme a cabeça de quem a usa e de quem a vê, a ponto de se confundir carapuça com barrete. E o equívoco primeiro começa logo aí.

 

Depois…

 

Bem, depois, vêm todos os outros. O equívoco de que o socialismo existiu, existe ou pode vir a existir; o equívoco de que existiu, existe ou pode vir a existir uma Europa; o equívoco de que existe, existiu ou pode vir a existir um modelo social europeu; o equívoco de que o Estado pode ser socialista ou social.

 

Segundo a mitologia, Europa teve três filhos: Minos, Radamanto e Sarpédon. Radamanto e Sarpédon teriam sido banidos por Minos. Minos terá sido o primeiro homem a praticar pederastia. Quanto à mãe, Europa, não conseguiu evitar o rapto de Zeus.

 

Ah! Segundo Platão, Radamanto, depois de morto, julgava as almas que vinham da Ásia. A esta hora deve estar a julgar o querido líder. E um destes dias deve julgar o Mexia, porque a Ásia fica logo aqui.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 12:56
01 de Janeiro de 2012

 

Faz hoje dez anos que o preço de uma bica passou de 50 escudos para 50 cêntimos (100 escudos, feita a conversão). Os ordenados não.

Em 2012, os portugueses vão trabalhar mais - os que conseguirem - e receber menos.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 12:53

 

Faz hoje dez anos o pimpolho,

Mas é velho e feio como um trambolho!

 

O euro é vesgo!

O euro é filho de incesto!

O euro é incapaz de procriar!

O euro é um aborto!

O euro não tem onde cair morto!

O euro só gosta de mamar!

O euro tem carrapatos e chatos nos pentelhos! E piolhos e lêndeas nos cabelos!

O euro é séptico e imundo!

O euro não está em coma profundo!

O euro já entrou em morte cerebral!

 

E ainda há quem o queira salvar!

… e salvar-se!

 

Morra o euro, morra! Pim!

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 11:15
31 de Dezembro de 2011

 

Se é verdade que o ano começou com a primavera árabe, chegados ao final do ano, ninguém pode dizer que a primavera veio para ficar. Uma coisa é certa: Nem todas as primaveras são iguais.

E se há uma semana escrevi aqui que tudo tinha começado com as lojas dos trezentos, oito dias passados, tenho de me retratar. As lojas dos trezentos só agora chegaram a Portugal. Nos próximos anos vamos saber o que é pertencer à China.

Mas se o Sol quando nasce é para todos e para outros é outono quando começa a primavera, a Esquerda atravessa hoje um rigoroso inverno. Sem alternativa, a Esquerda continua à deriva agarrada aos destroços do socialismo, do Estado social, da social-democracia, do socialismo democrático, da democracia, cacos velhos que nunca passaram de cacos, porque sempre ignoraram o fundamento da Vida: Não há vida para além do Homem.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 09:12
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30 de Dezembro de 2011

 

O António Mexia diz que já fez.

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 13:59

 

Diz o Daniel: «Mas a Europa vive um dilema: salvar o euro sem mudar a sua arquitetura e sem democratizar a União terá o mesmíssimo efeito que deixá-lo. Se alimentarmos a ilusão que podemos salvar a moeda destruindo a economia e as democracias nacionais o fim será o mesmo, mas ainda mais destrutivo. Quem julga que pode sacrificar tudo em nome do euro não percebe o que tem de salvar ao salvar o euro. Só uma reconstrução das instituições europeias e da política económica e monetária da União poderá salvar a Europa do buraco em que se enfiou.»

Mas que Europa?

Olhando as últimas imagens de satélite tudo indica que a Europa está onde sempre esteve e como sempre esteve, descontando, claro, uma ou outra alteração resultante da actividade humana e mais uma ou outra provocada, como costuma ouvir-se por aí, pelas intempéries do tempo.

Além desta, há mais alguma que se tenha enfiado num buraco?

Falar da Europa como se existisse uma inteligência que a possuísse e lhe desse vida tornou-se um hábito e, no entanto, essa inteligência não existe. A inteligência é própria dos homens. E ainda não foi criado o Homem europeu.

A Europa de que tanto se fala não passa de uma fantasia igual a todas as outras fantasias que se contam às criancinhas para adormecer:  Deus e o diabo, o lobo e a avozinha, a branca de neve e os sete anões, a flauta mágica… a Europa, a União Europeia, o Estado social europeu, os mercados…

 

á de moura pina

publicado por abrasivo às 12:45
Janeiro 2012
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