
Os números do emprego, hoje divulgados pelo INE – apenas 5,017 milhões de empregados contra 5,076 milhões em Junho deste ano, 547,7 mil desempregados contra 507,7 mil na mesma data e uma taxa de desemprego de 9,8 contra 9,1 por cento –, põe a nu a desonestidade de Sócrates e do seu governo, que, durante o período que antecedeu as eleições, não teve o menor pejo em manipular os dados do IEFP de modo a transmitir a ideia que o desemprego se encontrava controlado. Foram nesse sentido os números publicados pelo IEFP. Foram nesse sentido os comentários dos responsáveis pelo IEFP, foram nesse sentido os comentários de todos os membros do Governo, foram nesse sentido os comentários dos responsáveis do PS: Atravessávamos uma crise, mas o crescimento do desemprego estava controlado.
Os números hoje divulgados pelo INE vêm dizer que tudo não passou de uma farsa assente na manipulação dos dados controlados pelo Governo. O desemprego em Portugal, nos últimos três meses, registou um dos maiores crescimentos de que há memória. Mais 7 décimas percentuais na taxa de desemprego e mais 40 mil desempregados quando comparamos o terceiro com o segundo trimestre, contrariando a desaceleração que se tinha verificado no segundo trimestre; mais 21 décimas percentuais e 114 mil desempregados quando comparamos com igual período de 2008. E, isto, sem entrarmos em linha de conta que a população activa diminuiu ao longo deste período – menos 18,6 mil indivíduos em relação ao segundo trimestre e menos 64,2 mil em relação ao terceiro trimestre de 2008. No primeiro trimestre – aquele em que se reflectiu o pico da crise, tivemos um aumento da taxa de desemprego de 11 décimas percentuais e um aumento de 58 mil desempregados. Mas esse é um trimestre em que estatisticamente o desemprego sempre aumenta em Portugal. Só para recordar os mais esquecidos, no primeiro trimestre de 2005, o trimestre em que Sócrates subiu ao poder, sem qualquer crise, a taxa de desemprego subiu 4 décimas percentuais e o número de desempregados aumentou 23 mil.
Os números hoje divulgados demonstram que, ao contrário do que afirma o Governo, o aumento de desemprego está longe de ser controlado. Em 2009, quando comparamos o 3.° com o 2.° trimestre, a taxa de desemprego aumentou 7 décimas percentuais; em 2008, ano da crise, tinha aumentado apenas 4 décimas; nenhuma décima em 2007; aumentou 3 décimas em 2006 e 5 décimas em 2005, ano que por acaso até foi o primeiro do governo de Sócrates.
Os números hoje divulgados demonstram que as medidas do Governo não estão a contribuir para a diminuição do desemprego, e demonstram que é cada vez maior o emprego de longa duração – 117 mil desempregados há mais de 25 meses no terceiro trimestre de 2008 contra 144 mil no terceiro trimestre de 2009.
Mas os números demonstram ainda que, enquanto em 2004, o número médio do desemprego em Portugal foi de 365 mil desempregados, 422 mil em 2005, 428 mil em 2006, 449 mil em 2007, 427 mil em 2008, vamos com uma média de 517 mil desempregados em 2009; e que se em 2004 a população desempregada era de 5,123 milhões, de 5123 milhões em 2005, 5160 em 2006, 5170 em 2007, 5198 em 2008, a média é apenas de 5064 nos primeiros nove meses de 2009, menos do que em 2001.
á de moura pina